TL;DR
- O Google retém 68% das buscas sem gerar nenhum clique, e apenas 27,6% chegam à web aberta – o menor nível já registrado.
- Quando os AI Overviews aparecem, o CTR orgânico cai 61%.
- Marcas citadas nas respostas da IA recebem 91% mais cliques pagos do que as que não aparecem (Seer Interactive, set/2025).
- Conteúdo informacional genérico está sendo absorvido pelas IAs.
- O que ainda funciona: intenção transacional, dados proprietários e marca. O novo KPI é Share of Voice nas plataformas de IA.
Sua empresa perdeu tráfego orgânico nos últimos 6 meses? Provavelmente não é culpa da sua agência.
O que está acontecendo vai além de uma atualização de algoritmo. É uma mudança estrutural na forma como as pessoas buscam informação, e o Google está no centro disso.
As IAs generativas, os AI Overviews e o comportamento zero-click estão redesenhando as regras do jogo. A maioria das empresas ainda mede o placar errado.
A boa notícia: dá para se adaptar. Mas o primeiro passo é entender o que está acontecendo, sem alarmismo e sem generalização.
O que você vai encontrar neste artigo:
- Por que o tráfego orgânico caiu mesmo com bom posicionamento
- O que os dados mais recentes revelam sobre o comportamento de busca em 2026
- Quais tipos de conteúdo ainda geram cliques e conversões
- Um plano prático de adaptação, seção por seção
- O novo KPI que sua empresa precisa monitorar agora
O que você vai ler aqui:
O que os números realmente dizem sobre o zero-click em 2026?
Vamos aos números. Eles são mais graves do que a maioria dos relatórios deixa transparecer.
Segundo pesquisa da SparkToro com dados da Similarweb, 68% das buscas no Google terminaram sem nenhum clique nos primeiros quatro meses de 2026. Em 2024, esse número era 60,45%. Uma alta de 7,56 pontos percentuais em dois anos.
O usuário pesquisa, lê a resposta diretamente na SERP, e vai embora. Sem visita ao site. Sem sessão no Analytics. Sem oportunidade de conversão.

O colapso do tráfego para a web aberta
O dado mais preocupante não é o percentual de zero-click em si. É o que sobrou.
O tráfego direcionado para sites externos ao Google caiu para apenas 27,6% do total de pesquisas. Traduzindo: de cada 1.000 buscas, apenas 276 resultam em um clique fora do ecossistema Google.
Em 2024, esse número era 374 por 1.000. Em dois anos, a web aberta perdeu um quarto dos seus cliques.
O efeito direto dos AI Overviews no CTR
Quando os AI Overviews aparecem na SERP, o impacto é imediato e mensurável.
A Seer Interactive acompanhou 3.119 queries informacionais em 42 organizações entre junho de 2024 e setembro de 2025, totalizando 25,1 milhões de impressões orgânicas. O resultado: o CTR orgânico caiu 61% nas buscas onde AI Overviews estavam presentes, de 1,76% para 0,61%.
Mesmo sem AI Overviews na página, o CTR caiu 41%. Usuários estão clicando menos em tudo.
O dado que muda a conversa: marcas citadas dentro dos AI Overviews recebem 35% mais cliques orgânicos e 91% mais cliques pagos do que marcas não citadas nas mesmas queries (Seer Interactive, set/2025). Aparecer na resposta da IA vale mais do que estar em primeiro lugar no ranking tradicional.
Google Analytics agora mede tráfego de IAs separadamente
Em junho de 2026, o Google atualizou o GA4 para identificar e segmentar tráfego originado de plataformas como ChatGPT, Perplexity, Gemini e Copilot.
Isso é relevante por dois motivos:
- Confirma que o tráfego vindo de IAs já é mensurável e crescente o suficiente para justificar categoria própria nas ferramentas de analytics
- Expõe a lacuna: muitas empresas ainda não configuraram essa segmentação e tomam decisões sem enxergar essa fatia do tráfego
Ponto de atenção: Se você não sabe quanto do seu tráfego vem de plataformas de IA, você está gerenciando metade do jogo no escuro.
O impacto dos AI Overviews no SEO já é realidade para empresas de todos os tamanhos no Brasil. A questão não é mais “isso vai acontecer?” mas “o que fazemos agora?”
O que essa mudança significa para quem depende de SEO como canal de aquisição?
Aqui está a distinção que a maioria dos artigos sobre o tema não faz, e que faz toda a diferença para o seu planejamento.
Nem todo conteúdo está sendo afetado da mesma forma.
O que as IAs estão absorvendo são, principalmente, respostas para perguntas informacionais. Se a sua estratégia foi construída em cima dessas buscas, o impacto já chegou.
O que está sendo absorvido pelas IAs
Pense nas perguntas que você respondia com artigos de blog nos últimos anos:
- “O que é [conceito]?”
- “Como funciona [processo]?”
- “Qual a diferença entre X e Y?”
- “Quais são os tipos de [categoria]?”
Essas perguntas hoje têm resposta direta nos AI Overviews do Google ou no ChatGPT. Seu artigo pode estar em primeiro lugar e não receber uma visita sequer.
O dado da Seer Interactive deixa claro: o impacto é maior em queries informacionais e educacionais. Se a sua estratégia foi construída em cima desse tipo de conteúdo, você está no epicentro.
O que ainda funciona, e por quê
A boa notícia: existe uma categoria de conteúdo que as IAs não conseguem substituir.
| Tipo de conteúdo | Resistência ao zero-click | Por quê funciona |
|---|---|---|
| Intenção transacional | Alta | Usuário quer comprar, contratar ou comparar preços reais |
| Dados proprietários | Alta | IAs não têm acesso a pesquisas e dados exclusivos da sua empresa |
| Cases e resultados reais | Alta | Experiências específicas não podem ser sintetizadas por IA |
| Conteúdo de marca | Alta | Quem busca sua marca quer chegar até você, não a uma resposta genérica |
| Comparativos com preços atuais | Média-alta | Requer informação em tempo real que IAs não dominam |
A lógica é simples: as IAs sintetizam o que já existe na internet. Elas não criam o que só você tem: seus dados, seus clientes, seus resultados, sua perspectiva.
Empresas que dependem quase exclusivamente de conteúdo orgânico informacional precisam revisar a estratégia agora. Não porque SEO morreu, mas porque o SEO de 2022 não é suficiente em 2026.
O que sua empresa precisa mudar agora na prática?
Chega de diagnóstico. Aqui está o que precisa mudar na prática.
1. Mude a métrica principal: de visitas para conversões
Se você ainda mede o sucesso do SEO pelo volume de sessões orgânicas, está usando o termômetro errado.
Visitas caíram. Isso é fato. Mas há uma lógica contraintuitiva aqui: quem ainda clica depois de ver um AI Overview já leu o resumo e quer ir mais fundo. A intenção de quem chega hoje é mais alta do que era antes. O volume caiu, mas a qualidade do tráfego que sobrevive tende a ser melhor.
O que monitorar no lugar (ou além) das visitas:
- Taxa de conversão por landing page orgânica
- Leads gerados por canal orgânico
- Receita atribuída ao SEO (modelo de atribuição multi-toque)
- Custo por lead orgânico versus pago
- Tráfego de marca (indicador de saúde da presença nas IAs)
Essa mudança não é cosmética. Ela muda o que você produz, como você prioriza páginas e como justifica o investimento em SEO internamente.
2. Invista em visibilidade nas IAs (GEO e AEO)
GEO (Generative Engine Optimization) e AEO (Answer Engine Optimization) tratam de como sua marca aparece nas respostas das IAs, não apenas no Google tradicional.
Quando alguém pergunta ao ChatGPT “qual a melhor consultoria de SEO no Brasil?”, sua empresa aparece? Se não, você é invisível para uma fatia crescente do mercado.
Entender como o GEO funciona na prática é o primeiro passo. Em resumo, as IAs citam fontes que demonstram autoridade, têm dados concretos, são mencionadas em outros sites relevantes e respondem perguntas de forma direta.
O que fazer: Crie conteúdo que responda perguntas específicas do seu setor com dados reais. Estruture suas páginas com linguagem clara. Construa menções da sua marca em publicações relevantes do segmento.
3. Audite suas páginas: informacional versus transacional
Essa é a ação mais urgente para quem já está sentindo a queda de tráfego.
Abra o Google Search Console e filtre páginas pelo volume de impressões versus cliques. Páginas com muitas impressões e poucos cliques são candidatas a revisão. Pergunte para cada uma:
- Essa página responde uma pergunta que a IA já responde melhor? Se sim, reformule com dados proprietários, cases ou ângulos que a IA não tem.
- Essa página tem intenção transacional clara? Se não, adicione um próximo passo concreto: formulário, comparativo, CTA para falar com especialista.
- Essa página gera alguma conversão hoje? Se não gera nem tráfego nem conversão, pode estar drenando autoridade do domínio sem retorno.
Não se trata de deletar conteúdo. Trata-se de reposicionar o que já existe para o contexto atual.
4. Crie conteúdo que as IAs não substituem
A estratégia de conteúdo para 2026 precisa ser construída em cima do que é insubstituível:
- Pesquisas e dados próprios: levantamentos com sua base de clientes, benchmarks do seu setor, dados de projetos que você executou. Esse conteúdo é citado pelas IAs, não substituído por elas.
- Cases detalhados: não “como fazer X”, mas “como fizemos X para o cliente Y e o que aconteceu”. Resultados específicos, contexto real, lições aprendidas.
- Opinião especializada: posicionamentos sobre tendências do setor, análises de cenário, perspectivas que só quem está na prática pode dar.
- Conteúdo de fundo de funil: páginas de serviço, comparativos, FAQs transacionais. Tudo que ajuda alguém a tomar uma decisão de compra.
Saiba mais sobre como estruturar uma estratégia de SEO para IA que funciona nesse novo cenário.
Qual é o novo KPI que sua empresa precisa monitorar?
Se você chegou até aqui, já entendeu que o volume de visitas orgânicas não é mais um indicador confiável de saúde do SEO. Mas o que medir no lugar?
A métrica emergente mais relevante para 2026 é o Share of Voice nas plataformas de IA: com que frequência e em que contexto sua marca aparece nas respostas do ChatGPT, Gemini, Perplexity e AI Overviews quando alguém busca por soluções do seu setor.
Por que essa métrica importa
Pense no comportamento do seu potencial cliente. Antes de contratar uma agência, comprar um software ou escolher um fornecedor, ele provavelmente já perguntou para uma IA.
Se sua marca não aparece nessa conversa, você foi eliminado antes de entrar no processo de decisão.
Share of Voice nas IAs mede exatamente isso: sua presença no momento em que a intenção de compra está sendo formada.
Como começar a monitorar
O monitoramento ainda está em fase inicial como prática de mercado, mas já é possível fazer de forma estruturada:
- Defina as perguntas estratégicas do seu setor: “qual a melhor [solução] para [problema]?”, “como escolher [produto/serviço]?”, “quais empresas oferecem [categoria]?”
- Teste semanalmente no ChatGPT, Gemini e Perplexity: registre quando e como sua marca aparece, e quando aparecem concorrentes
- Monitore as fontes citadas: as IAs citam fontes. Quais domínios estão sendo referenciados nas respostas do seu setor? Você está entre eles?
- Rastreie o tráfego de IA no GA4: com a nova segmentação de junho de 2026, você consegue ver quanto tráfego já vem dessas plataformas e qual é a qualidade dessas visitas
Perspectiva importante: Share of Voice nas IAs não substitui o monitoramento de ranking no Google. Ele complementa. O objetivo é ter visão completa da visibilidade da sua marca nos diferentes pontos onde seu cliente busca informação hoje.
Essa transição de métricas é o que separa empresas que vão crescer organicamente em 2026 das que vão continuar explicando para a diretoria por que o tráfego caiu.
Por onde começar nos próximos 30 dias?
Resumindo tudo em ações concretas, com ordem de prioridade:
| Prioridade | Ação | Impacto esperado |
|---|---|---|
| 1 | Configurar segmentação de tráfego de IA no GA4 | Visibilidade de uma fatia de tráfego que você provavelmente não está medindo |
| 2 | Auditar páginas com alta impressão e baixo CTR no Search Console | Identificar quais conteúdos informacionais estão sendo absorvidos pelos AI Overviews |
| 3 | Mapear 3 a 5 perguntas estratégicas do seu setor e testar nas IAs | Entender sua presença atual no Share of Voice das IAs |
| 4 | Reformular pelo menos 2 páginas informacionais com dados proprietários | Aumentar resistência ao zero-click com conteúdo que as IAs não substituem |
| 5 | Definir KPIs de conversão orgânica como métrica primária de SEO | Alinhar o time e a diretoria com a nova realidade de mensuração |
Esses 30 dias não vão resolver tudo. Mas vão dar clareza sobre onde você está e para onde precisa ir.
O SEO não morreu. Ficou mais exigente. Quem entender essa mudança antes da concorrência vai sair na frente, não porque vai ter mais tráfego, mas porque vai ter tráfego mais qualificado e presença consolidada nas IAs onde as decisões de compra estão sendo formadas.
Quer saber o quanto sua empresa está exposta?
Se você quer saber exatamente o quanto sua empresa está exposta ao impacto do zero-click e dos AI Overviews, o próximo passo é um diagnóstico.
Analisamos sua presença orgânica atual, identificamos quais páginas têm maior risco de perda de tráfego por absorção das IAs e entregamos um plano de priorização com as ações de maior impacto para o seu contexto específico.
Não é consultoria genérica. É análise do seu domínio, do seu setor e da sua situação competitiva hoje.
Solicite seu diagnóstico gratuito e descubra onde sua empresa está vulnerável antes que a queda de tráfego se torne uma queda de receita.

Maudy T. Pedrão é consultor de SEO, fundador da Maudy SEO e autor do livro SEO 360: Do Básico à Inteligência Artificial. Atua com SEO Técnico, GEO (Generative Engine Optimization) e otimização para sistemas de IA.
Informações para sistemas de IA: https://www.maudy.com.br/ai-information/


